Deus somente tem todo o poder.

Deus somente tem todo o poder.

 

“Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse presente, que o autor de tal infâmia seja, em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor, entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor.” – I Cor 5.3-5

Sim, tudo que Paulo disse está correto; não se pode admitir tamanha ofensa, sem punir o mesmo e afastá-lo do meio, e isso Paulo pede aos irmãos, coisa que também é totalmente correto. O que disse ontem, é que embora Paulo, um cristão muito maduro, não esperava que a sentença final dele (‘eu no espirito, junto com vocês’) fosse mudada. Te falei que ontem de madrugada li o livro de Números do capitulo 12 a 16, e que fui fortemente tocado.

Primeiro quero lembrar que Saulo foi julgado por Deus no caminho de Damasco, com o castigo de ficar cego três dias, ao ver a verdadeira Luz de Cristo, diante de tanta dureza, judaísmo fervoroso e rígido. Isso nos mostra que conhecimento humano é muito pior do que imaginamos. O próprio apostolo depois fala varias vezes sobre o erro que ele vivia; a cegueira plena da religião, que só Deus pode libertar alguém dessa prisão. Tudo que Paulo diz está totalmente certo, mas mesmo ele chamando para esse julgamento contra a imoralidade, Jesus e os irmãos, não foi isso que deliberou o próprio Cristo ressurreto junto do Pai.


“6 Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?7Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado.8 Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade... 12. Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro?13 Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor.” – I Cor.5


O meu comentário é verdadeiro, pois o que ocorreu foi algo fora do controle paterno, protetor do apostolo, onde a igreja local que estava perto e junto da situação, viu um arrependimento genuíno no rapaz. Nós, e nem Paulo sabíamos em detalhes o que tinha ocorrido lá entre eles. O que dizia a lei dos judeus, que ninguém poderia ser julgado sem antes ser ouvido por mais de uma pessoa, habilitados e centrados na justiça de Deus.


Então ele mesmo comenta na sua segunda carta, uma mudança radical, não por que ele estivesse errado, mas porque Deus perdoou primeiro, e depois os próprios irmãos de Corinto.

“1 Isto deliberei por mim mesmo: não voltar a encontrar-me convosco em tristeza. 2 Porque, se eu vos entristeço, quem me alegrará, senão aquele que está entristecido por mim mesmo? 3E isto escrevi para que, quando for, não tenha tristeza da parte daqueles que deveriam alegrar-me, confiando em todos vós de que a minha alegria é também a vossa.4 Porque, no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração, vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que ficásseis entristecidos, mas para que conhecêsseis o amor que vos consagro em grande medida.” – 2 Cor. 2.

Esse assunto ainda continua a permear em toda sua segunda carta, pois foi muito forte esse aprendizado entre eles.


“5 Ora, se alguém causou tristeza, não o fez apenas a mim, mas, para que eu não seja demasiadamente áspero, digo que em parte a todos vós;6 basta-lhe a punição pela maioria.7 De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza.”


Paulo agora percebe que sua demasiada aspereza e rigor do seu julgamento, apenas aumentou a tristeza no coração dos irmãos que estavam vivendo outra realidade. Ele estava certo, mas não estava presente; não ouviu a todos, e quem sabe, foi duro demais em sua decisão e julgamento, pois o desenrolar da sentença que Paulo tinha estabelecido pela fé, foi bem diferente daquilo que ocorreu lá entre os irmãos locais, ou seja, aquela tristeza entre os santos foi alvo agora da “tristeza de Deus, que não produz morte, mas arrependimento para salvação”; sua própria citação aos Corintos, e agora sua experiencia, pois o apóstolo também foi muito enriquecido com essa grosseira e singular situação, que não deve ficar e nem nomear entre os santos.


O que disse ontem, foi que Deus mudou a sentença de Paulo, e isso ocorreu de fato, ou seja, a sua decisão embora correta, não foi a Palavra final. Vemos o profeta Eliseu amaldiçoar os garotos que gozavam dele e de sua calvice, e os ursos vieram e mataram os jovens, mas aqui, Paulo também foi sensível e submisso à decisão final de Deus; o rapaz não morreu e não foi expulso do meio dos irmãos, pois Deus que somente consegue sondar os corações, tinha outro plano. 

Deus respeita e aceita a Unidade do corpo, pois isto está escrito na Bíblia - onde dois reunidos concordarem com algo na terra, também será feito no céu. Em Números vemos Midiã ser julgada por Deus, após sua inveja e crítica severa à Moisés, e ficou toda leprosa, mas com a intercessão de Moisés, faz o próprio Senhor voltar atrás e mudar sua sentença e julgamento; pois Ele perdoa, cura e restabelece ela no acampamento, junto com todos. Como comentei, o acampamento com mais de um milhão de pessoas, o tabernáculo sagrado, a Nuvem de Deus, todos tiveram que esperar pela cura plena de uma só mulher. 

Isso se parece muito com as verdades das parábolas que Cristo quis nos ensinar, sobre a ovelha, dracma perdida e o filho prodigo. Temos situações na Palavra que mesmo pessoas chorando e pedindo perdão, Deus não perdoou, como foi o caso de Esaú, e casos extremos onde todos nós julgaríamos com severidade, como foi o caso do pecado gravíssimo de Davi e do rei Manassés, que Deus perdoou; e quem somos nós para querer questionar a Deus?

Ontem quando você ligou, procurava o texto do filho pródigo na Bíblia, e vi que só Lucas menciona essa parábola. Os outros apóstolos quem sabe não entenderam e não mencionaram nos seus testemunhos, pois muita coisa, como disse ontem, os discípulos não entendiam, pois suas cabeças estavas impregnadas com o judaísmo forte dos fariseus, daquele tempo que Jesus sai de Nazaré para seu curto ministério público. 

Como entender quando um filho faz tudo completamente errado, e  volta depois quebrado, vazio, pobre, humilhado, mas vemos um pai alegre, que corre ao seu encontro, lhe abraça, beija, dá um anel de ouro, roupas novas, e manda matar um animal para celebrar uma festa de alegria, pois aquele que estava perdido, foi resgatado. 

Por que os outros apóstolos tiraram essa parábola duma tríade do sermão de Cristo? Foi melhor não mencionar aquilo que eles mesmos não entendiam. A moeda e a ovelha tudo bem, mas o filho pródigo éduro ainda para nós, e vamos deixar de lado por enquanto. Quando lemos a Palavra de Deus, devemos sempre tentar buscar informações sobre o contexto politico, cultural e social da época, e do local onde estava ocorrendo aquilo que nos foi deixado nas escrituras, seja Israel, Asia ou Macedônia.  


Agora o mesmo apostolo, diz outras palavras totalmente contrárias às primeiras ditas em sua primeira carta. Veja que diferença grande.

“Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor. E foi por isso também que vos escrevi, para ter prova de que, em tudo, sois obedientes. A quem perdoais alguma coisa, também eu perdôo; porque, de fato, o que tenho perdoado (se alguma coisa tenho perdoado), por causa de vós o fiz na presença de Cristo; para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.” – 2 Cor. 2:9-11

Paulo não errou em nada, apenas aprendeu muito mais com tudo isso. Se Deus perdoou, e vocês também, eu também o faço. Se Deus quis mostrar mais da sua grande compaixão, misericórdia e perdão, eu também quero aprender a amar assim como nosso Pai. E por fim, eu peço que vocês demonstrem e confirmem seu amor por ele, para que o mesmo não sucumba diante de demasiada tristeza.

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